Sediado em Oslo, na Noruega, o compositor Helge Sten tem vindo a trabalhar este estilo musical desde o início da década de 90, um minimalismo granular e profundamente atmosférico que atrasa o tempo e explora as mais ínfimas partículas do som. O conceito de Deathprod nasce em 1991 quando Sten se apercebe que a complexa ordem de eletrónica caseira, samplers, sons processados e efeitos analógicos – cumulativamente referenciados como “Áudio Vírus” – poderiam adquirir uma dimensão musical acima (e para lá) da mera técnica. Samplers quase obsoletos e dispositivos de reprodução distorcem e transformam sons em mutações irreconhecíveis. Os vírus propagam-se em camadas sobrepostas e complexas de detritos sonoros, criando uma espécie de composição celular. Sten é membro fundador do grupo de improvisação norueguês Supersilent e produziu discos de Motorpsycho, Susanna, Jenny Hval, Arve Henriksen, entre outros. Em 1998, ao lado de Biosphere, transformou eletronicamente a música do compositor contemporâneo norueguês Arne Nordheim. Recentemente compôs para os lendários instrumentos inventados de Harry Partch, numa encomenda do EnsembleMusikfabrik, de Colónia.

Agora a trilogia de álbuns de Deathprod vai ser lançada pela primeira vez em vinil e estará disponível para download a 5 de maio na Smalltown Supersound. Prensados por Rashad Becker na Dubplates and Mastering em Berlin, formam o cânone completo e oficial de Deathprod.

Vindo da Nova Zelândia, Fis produz música eletrónica física, vibrante e exploratória, fortemente influenciada pelos contextos onde se insere e pela sua relação com o mundo natural. Depois de serrar os dentes em poderosos sistemas de som um pouco por toda a Nova Zelândia, Oliver Peryman lançou uma série de EP’s de destaque pela Samurai Horo, Exit e Tri Angle em 2012/13, seguidos pelas épicas performances A/V no palco principal do festival Berlin Atonal em 2014 e 2015, e pelo lançamento de um EP e do seu LP de estreia The Blue Quicksand is Going Now, pela editora londrina Loopy em maio de 2015.

 

Em 2016 lançou o segundo álbum, From Patterns to Details, pela Subtext. As sete faixas do álbum fluem com uma vitalidade aparentemente caótica, naturalmente evolutiva, usando uma paleta não quantificada de sons atomizados para modelar os processos pelos quais a natureza tira o melhor partido dos seus ambientes, e do seu ciclo perene de crescimento e declínio, de um modo compreensivo que ultrapassa a comunicação verbal. Operando numa escala de reconhecimento de padrões micro-para-macro, Fis integra os espíritos das paisagens escarpadas com a sua fauna e flora, numa espécie de transferência arenosa e fluida de genes horizontais entre sistemas pessoais e externos… expor-se ao seu álbum é uma experiência que desafia os limites da linguagem.

O poeta inglês Rick Holland, que colaborou com Brian Eno e Jon Hopkins, ficou tão comovido pelo trabalho de Fis que escreveu um poema para cada uma das faixas.

 

Uma estreia em Portugal promovida pelo Semibreve.

Música e compositora, Kyoka trabalha entre Berlim e Tóquio. Conhecida por uma abordagem musical caótica e direta e por um som bruto e pesado, a sua música resulta num pop-beat quebrado, com ritmos experimentais mas dançáveis.

Cresceu no Japão, onde na infância teve lições de piano, flauta e shamisen. Enquanto ouvia e gravava programas de rádio em cassetes, começou a sentir-se atraída pelas possibilidades de as arranhar para trás e para a frente e, rapidamente, passou a usar o gravador enquanto brinquedo, cortando, editando e produzindo os primeiros sons mais grosseiros.

 

Em 1999 interessou-se pelo potencial dos sintetizadores/computadores e durante a sua estada em Los Angeles entre 2004 e 2008, as suas músicas começaram a passar nas rádios locais.

 

Em 2008 o primeiro mini-álbum »ufunfunfufu« foi lançado pela editora berlinense onpa))))), seguido por »2ufunfunfufu« em 2009 e »3ufunfunfufu«, com lançamento exclusivamente em digital.

Em 2012 assistimos ao lançamento do primeiro EP em 12’’ »iSH« pela raster-noton, seguido de »is (is superpowered)«, o seu primeiro álbum de longa duração, em maio de 2014.

Esta citação de Ryuichi Sakamoto talvez consiga resumir o talento excecional de Kyoka: “Pânico! Parece uma caixa de brinquedos virada do avesso, como é que ela consegue fazer sons tão bonitos e tão caóticos? Adoro!”

Valgeir Sigurðsson é um compositor e produtor islandês. Por muito que pudesse ser descrito como um pós-minimalista especulativo com uma desafiante sensibilidade pós-punk e um fascínio pelo erro e improvisação, convencionalmente um músico acústico-clássico, com um profundo conhecimento do espantoso potencial da eletrónica e um amor declarado pela beleza e inteligência do pop estranho, Valgeir Sigurðsson é um inspirado e industrioso fazedor de grandiosa música do norte, de um soul inquietante, uma visceral, diabólica música folk.

Enquanto editor e curador da Bedroom Community, editora que fundou em 2006, o seu trabalho com Nico Muhly, Ben Frost, Paul Corley, Sam Amidon e Daníel Bjarnason, revela uma apreciação constantemente evolutiva da diversidade da música no mundo. Os três trabalhos a solo, Ekvílibríum (2007), Draumalandið (2010) e Architecture of Loss (2013), serão seguidos em 2017 pelo intensamente reflexivo Dissonance.

Com um diligente sentido de onde procurar e saber para onde se move a música moderna de género liquefeito, as suas colaborações incluem Björk, Bonnie ‘Prince’ Billy, Feist, Damon Albarn, CocoRosie, Sigur Rós, Jóhann Jóhannsson, Brian Eno, Tim Hecker, Anohni, Oneohtrix Point Never e Alarm Will Sound. Esta série de prolíferas relações pessoais e profissionais contribuíram para que concebesse uma forma privada e moderna de produzir música, que elegantemente acumula séculos de paciente técnica e refinamento, com décadas de inovadora experimentação eletrónica e progresso pós-pop.

Enquanto adepto do trabalho em ambientes eletrónicos e de estúdio, e criando evocativas bandas sonoras para cinema ou composições para orquestra, o seu trabalho para teatro, dança e instalações revelam que Sigurðsson pensa como pintor e escultor na mesma proporção com que é músico e artista sonoro.